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Pacto pela Paz forma mais 115 famílias para a educação sem violência

Programa ACT, que alcançou lares de diferentes bairros como Navegantes, Simões Lopes, Colônia Z-3, Dunas, Guabiroba e Balneário dos Prazeres, busca fortalecer os vínculos afetivos para impactar na redução da criminalidade do município

Por Luiza Meirelles 03-12-2019 | 19:17:14

Um futuro sem violência: esta é a bandeira levantada pelo Pacto Pelotas pela Paz por meio de programas que apostam no fortalecimento de vínculos familiares e na construção de relacionamentos mais saudáveis e harmoniosos nos lares pelotenses. Um deles, o ACT – Criando Crianças em Ambientes Seguros, formou, nesta terça-feira (3), mais 115 famílias que foram capacitadas para a educação de seus filhos distantes de qualquer forma de violência e, agora, têm em mãos uma ferramenta capaz de transformar realidades e, consequentemente, mudar o destino de suas vidas.  

Fotos: Gustavo Vara

A cerimônia para entrega dos certificados, realizada no Pelotas Parque Tecnológico, reuniu mães, pais, avós e demais participantes do programa, que chegou a escolas municipais e unidades de assistência social de diferentes bairros da cidade, como Bom Jesus, Dunas, Simões Lopes, Navegantes, Santa Terezinha, Guabiroba, Colônia Z-3 e Fragata. Somando-se as famílias formadas neste semestre, o ACT já alcançou 330 lares pelotenses. Parte destas experiências estão relatadas em um livro, também lançado durante a formatura, a fim de registrar e perpetuar a experiência do ACT no município.  

Pioneirismo de Pelotas

A prefeita Paula Mascarenhas lembrou o fato de que Pelotas é a primeira cidade do mundo a implantar a iniciativa como política pública, ou seja, a adotá-la na rotina dos serviços municipais. Também frisou a importância dos laços afetivos na primeira infância, salientando o impacto que eles têm a longo prazo.  

“É comprovado cientificamente que a relação com os bebês, nos seus três primeiros anos de vida, são determinantes, até mesmo, para a formação de personalidade e definição de um futuro de realizações ou frustrações. Nossas crianças merecem viver este período com carinho, afeto, amor e segurança porque isso vai fortalecendo dentro deles a autoconfiança e a capacidade de acreditarem em si”, afirmou a prefeita.

Paula defendeu que quem se sente amado pela família se torna muito mais seguro para enfrentar o mundo e que não há legado maior para deixar aos filhos do que a herança do amor e da autoestima. “Nosso desafio é manter o ACT como política pública para que mais famílias sejam alcançadas. A gente transforma o mundo a partir do nosso lar, da nossa família e da nossa cidade”, pontuou.  

A coordenadora do ACT em Pelotas, Alicéia Ceciliano, reafirmou o poder transformador do programa, inclusive, fazendo com que os profissionais envolvidos em sua aplicação se tornassem pais e pessoas melhores. Lembrou aos familiares que eles são os primeiros protetores, professores e cuidadores dos seus filhos, destacando a importância do papel de cada um na vida das crianças.  

Reflexo nos lares pelotenses

Jaqueline Duarte confessou que não acreditava na eficiência do programa, antes de participar, considerando os desafios enfrentados para educar seus três filhos, de 1, 8 e 13 anos. No entanto, seguiu acompanhando os encontros na Escola de Educação Infantil Paulo Freire, no Dunas e, em pouco tempo, percebeu como a iniciativa seria transformadora para sua vida.  

“Me sinto uma mãe muito melhor agora. Aprendi muita coisa, principalmente, a lidar com a raiva que sentia. Antes eu explodia por qualquer coisa; hoje me noto mais tranquila e com paciência para conviver com eles. O grupo foi muito importante para podermos desabafar e compartilhar experiências”, contou Jaqueline.
Jaqueline e a filha Thayla participaram da formatura, nesta terça

Prova de que o ACT não é lugar apenas de mães ou pais, a avó que ajuda na criação dos dois netos, dona Dorisa dos Santos, relatou, emocionada, sobre os benefícios do projeto em seu dia a dia. “Seria tão bom se tivéssemos tido isso há 40, 50 anos… Fico feliz por saber que o programa vai seguir na rede pública porque ele é fantástico. Agora, todos nós somos semeadores desta ideia tão especial”, disse a avó.  

Amor e tolerância como resposta  

O juiz diretor do Foro da Comarca de Pelotas, Marcelo Cabral, afirmou que, para o Poder Judiciário, é uma alegria contar com uma política pública, no âmbito municipal, tão eficiente e inteligente, ensinando as famílias a se desenvolverem com mais paz.  

“Como juiz de direito, nós trabalhamos com a violência acontecida. Chegam a nós centenas de crianças vítimas da brutalidade e da incompreensão que se tornam jovens reproduzindo a mesma violência. Por isso, desejo que estas crianças do ACT possam crescer em ambientes de tolerância para que sejam, no futuro, adultos que saibam conviver com amor porque com amor foram criados”, assinalou.  

Secretário de Educação e Desporto, Artur Corrêa salientou que a maior obra de um governo é cuidar das pessoas, tornando a cidade mais justa e humana. “O Município seguirá trabalhando para que o ACT seja um programa permanente em Pelotas”, acrescentou.  

Fotos: Gustavo Vara

Também participaram da cerimônia o vice-prefeito Idemar Barz, o secretário de Assistência Social, Luiz Eduardo Longaray, o coordenador do Pacto, Samuel Ongaratto, e a assessora de Relações Institucionais e Gestão Estratégica da Prefeitura, Clotilde Victória, além dos 14 facilitadores do ACT, responsáveis por multiplicar os conhecimentos do programa a dezenas de famílias.

Escolas e unidades de assistência social envolvidas 

A segunda turma da iniciativa, em 2019, envolveu a comunidade das Emeis, Nelson Abott, na Bom Jesus; Paulo Freire, no Dunas; João Guimarães Rosa, no Distrito Industrial; Monteiro Lobato, no Simões Lopes; Darcy Ribeiro, no Fragata; Anita Malfatti, na Vila Gotuzzo; Adayl Bento Costa, na Santa Terezinha; Oswald de Andrade, no Balneário dos Prazeres; Érico Veríssimo, no Navegantes; Vinícius de Moraes, no Jardim Europa; Albina Peres, no Areal; Mário Quintana, na Guabiroba; Mário Osório Magalhães, no Centro; nas Emefs Rafael Brusque, na Colônia Z-3; Olavo Bilac, no Fragata; e Osvaldo Cruz, na Santa Terezinha; Cras Três Vendas, no Pestano; Creas Cruzeiro, no Areal; e Serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos Pestano e Colônia Z-3.

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pacto pelotas pela paz, act, segurança, famílias, fortalecimento de vínculos

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