Casamento Coletivo lota o Clube Brilhante
Cerimônia teve 49 casais e mais de 500 convidados
A cerimônia do Casamento Coletivo reuniu 49 casais e cerca de 500 convidados na noite dessa quinta-feira (25). O frio não foi capaz de conter os sorrisos que se espalhavam pelos diversos ambientes do Clube Brilhante. A Orquestra Municipal Estudantil preencheu o salão com um repertório musical diverso, enquanto os convidados e noivos aguardavam, e com a marcha nupcial para a entrada de cada uma das noivas. A noite terminou com uma festa carnavalesca, coordenada pela banda Ritmo Brabo.
Fotos: Manuela Santos
Os 49 casais participantes estão inscritos no Cadastro Único, o que garantiu a participação de pessoas em situação de vulnerabilidade, que teriam mais dificuldade de ter um casamento oficial, e de casar em um lugar bonito e preparado para um evento tão importante. Antes da cerimônia, os casais foram fotografados por fotógrafos profissionais da Secretaria de Comunicação (Secom), e as fotos serão disponibilizadas na próxima semana, em alta resolução.
Vera Nair do Amaral, de 71 anos, e Paulo Renato Rodrigues, de 74, estão juntos há 53 anos, e têm dois filhos. Eles são pescadores e vivem na Colônia Z3. Por que casar, oficialmente, depois de tanto tempo? A explicação vem da filha mais velha, Elisângela do Amaral Rodrigues, de 49 anos, que também participou da cerimônia, após viver com Cléo Ávila da Costa, de 42, por 22 anos, quis compartilhar o momento com os pais. No mesmo dia e no mesmo ambiente, duas gerações da mesma família oficializaram suas relações consolidadas. Elisângela conta, “eu tive outros casamentos que não deram certo, e com ele deu, os filhos cresceram, temos netos, agora a gente resolveu, vamos dar um passo mais à frente, oficializar a nossa união", disse, ao afirmar que a segurança foi um fator decisivo, e a mãe completou "é só pra engrandecer mais a nossa união".
Foto: Manuela Santos
Em sua fala, o prefeito Fernando Marroni comentou o caso da Vera, que conheceu na véspera, durante uma visita às obras da ponte permanente da Colônia Z3. “Muito já foi dito aqui, sobre a importância deste momento, sobre a importância da oficialização do casamento, mas o importante mesmo é o amor que une esses casais, e nós vamos ter aqui a dona Vera e o seu Paulo Renato, que eu encontrei eles ontem, lá na Z3, e a dona Vera estava muito preocupada, porque a gente ia fazer uma etapa da obra da ponte, e ia interromper o trânsito durante um determinado momento, e ela disse ‘prefeito, não pode fazer a obra hoje, se não amanhã a gente não vai poder ir pro casamento’, e eles são o casal mais antigo, estão juntos pela vida inteira, são um símbolo desse momento que a gente vai viver aqui”, concluiu.
A secretária de Assistência Social (SAS), Roberta Mello, avalia que a realização do Casamento Coletivo tem diversos significados para as famílias. “A oficialização dos relacionamentos é muito importante para a garantia dos direitos do casal e da família, para qualquer ação civil, mas também para a realização de sonhos. Muitas pessoas não têm condições de fazer uma festa, de reunir a documentação necessária, e a gente consegue unir o acesso a documentos que geram cidadania e direitos, à festa, à celebração da felicidade dessas pessoas”, afirmou. A secretária ainda disse que “ver as noivas e noivos tão felizes com a estrutura montada pela equipe da SAS que dedicou, além de técnica, de profissionalismo, muito carinho ao evento por dois meses, é muito gratificante e nos estimula a enfrentar outros desafios”, afirmou a secretária.
Marina Furtado Lamerão e Roberta Camargo Duarte têm 18 anos, e estão juntas desde os 13. As duas moram juntas e são auxiliares administrativas, pelo programa Jovem Aprendiz. Elas contam, misturando as falas de uma e de outra, que não planejavam, mas sempre quiseram (muito) casar, e decidiram aproveitar a oportunidade quando ela surgiu. O objetivo do casamento é “firmar a nossa união, sabe? pra mostrar e confirmar”, e “a gente tem muitos planos, quer crescer juntas”, disseram, em uma fala encadeada, difícil de saber onde termina a fala de uma e começa a da outra, e fazia parecer apenas uma voz.
Foto: Manuela Santos
A ação foi totalmente gratuita, realizada pela parceria entre a Prefeitura e o Projeto Ronda da Cidadania, do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul (TJ/RS), que desde o ano 2000 promove o Casamento Coletivo em Pelotas, e com o evento de 2026, totaliza 1.237 casamentos realizados. Neste ano, o evento contou com a parceria do Clube Brilhante, que ofereceu, além do salão principal, espaços para que as noivas se vestissem, fizessem maquiagem e cabelos, e para alimentação antes da festa, sem qualquer custo.