Copsul finaliza programação com mesa redonda no hall da Prefeitura
A programação de debates, palestras e mesas redondas da Conferência Sul sobre Mudanças Climáticas (Copsul) foi concluída na noite de sexta-feira (28) na sala Frederico Trebbi, hall da Prefeitura, com uma mesa redonda sobre Alimentos, Natureza e Comunidade. Participaram da discussão a consultora da agência da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês), Daniela Nogueira, e o representante municipal no Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), Tiago Nunes. A mediação foi do secretário municipal de Defesa Civil, Milton Martins.
O secretário de Defesa Civil, Milton Martins, com os debatedores na mesa redonda sobre Alimentos, natureza e comunidades, que encerrou programação da Copsul, na noite de sexta-feira (28) (Fotos: Volmer Perez/Secom)
“O cenário desenhado pelas mudanças climáticas, com seus efeitos extremos como enchentes e secas prolongadas, impacta a produção e a segurança alimentar”, afirmou, na abertura da fala, a consultora da FAO. Conforme ela, que também é cientista política, socióloga e professora da Universidade de Brasília (UnB), os desdobramentos desta realidade provocam efeitos em diferentes grupos sociais, que invariavelmente contribuem para o aprofundamento da desigualdade social - sobretudo a agricultura familiar, responsável pela maioria pela produção da maioria dos alimentos consumidos à mesa. No entanto, ela alerta: nenhuma classe está livre dos danos do contexto de emergência climática que afeta o planeta no sentido da segurança alimentar.
Daniela demonstrou que já se tem menos diversidade de gêneros alimentícios e menor qualidade nutricional, o que atinge a sociedade como um todo, não somente as classes menos favorecidas economicamente.
Nunes abordou a relação entre a questão ambiental, alimentar e o papel da participação popular, especialmente a partir da experiência nos territórios, mencionou a iniciativa pioneira na história de Pelotas, com a construção do primeiro plano municipal de segurança alimentar, por meio da Secretaria de Assistência Social (SAS), e também do histórico no município e na região de experiências bem-sucedidas de modelos agroecológicos de produção alimentar. Um deles, por exemplo, resultou, há mais de duas décadas, na abertura do restaurante Teia Ecológica, no Centro Histórico, num projeto que reuniu produtores e consumidores.
“Não é poesia”, disse Tiago Nunes. “Movimentos sociais e comunidades tradicionais têm inúmeros exemplos que demonstram ser possível plantar com escala e volume respeitando a natureza, com adoção de insumos naturais, a sazonalidade e o tempo da terra”, afirmou.
A Copsul é o primeiro evento do programa Pelotas Global, que reúne Prefeitura, por meio da Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag), IFSul e UFPel. Teve início dia 10 deste mês, com transmissões ao vivo das sessões da COP 30, em Belém (PA), e seguiu com rodas de conversa nos territórios do município com objetivo de democratizar o acesso às discussões climáticas. A segunda etapa da programação começou nesta semana, quando, na segunda-feira (24), a Prefeitura lançou no auditório do IFSul o Plano de Resiliência Climática de Pelotas.