Alguns dos trabalhadores de limpeza e construção civil só tiveram acesso pela primeira vez ao Theatro há poucos dias, durante a reta final das obras para a reabertura

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Alguns dos trabalhadores de limpeza e construção civil só tiveram acesso pela primeira vez ao Theatro há poucos dias, durante a reta final das obras para a reabertura

Por Roberto Ribeiro 07-07-2026 | 10:03:00
Tags: Reabertura , Theatro Sete de Abril , Reconstrução

O esforço para reinserir o Theatro Sete de Abril no cotidiano dos pelotenses não se restringiu ao empenho da administração municipal. Na corrida contra o tempo para a reabertura do espaço, nesta terça-feira (7), quando Pelotas completa 214 anos, dezenas de auxiliares de limpeza, eletricistas, pintores, pedreiros e afins protagonizaram cenas importantes para a retomada do Sete terminar em final feliz. 

O pintor Rodrigo Silva, 40 anos, entrou pela primeira vez no Sete de Abril para trabalhar na reta final da obra (Fotos: Tobias Bernardo/Secom)

Alguns deles, até então, nunca haviam tido acesso ao Theatro. É o caso do pintor Rodrigo Silva, 40 anos, que tentava buscar respostas do porquê o Sete de Abril nunca ter ocupado um lugar familiar em sua trajetória. Tem algumas pistas: “Éramos meu pai, minha mãe e dez irmãos”, sugere. Ainda muito jovem, aos 20 anos, casou-se, foi morar no Laranjal, em seguida tornou-se pai e eis que chega a roda viva: toda atividade profissional se desenrolou nas imediações - longe do centro histórico, que pouco frequentou. Mas não se queixa. A oportunidade de trabalhar nos dias que antecederam a reabertura do Theatro foi uma experiência que o enriqueceu - ainda mais como um dos homenageados na cerimônia. “Nunca subi num palco, vai ser a primeira vez”, alegra-se. “É muito bom ter quem reconheça o esforço que a gente faz.”

Aprendeu o caminho

Eletricista, Tainan Freitas entrou pela primeira vez no Sete há pouco mais de um mês. “Estava às escuras”, conta ele, sem disfarçar o orgulho de fazer parte da trupe que contribuiu para dotar o Theatro de instalações seguras e capazes de oferecer uma agenda de espetáculos. “É show de bola”, admite. Morador nas Três Vendas, zona Norte de Pelotas, ele espera poder voltar ao Sete de Abril, agora não apenas para trabalhar nos bastidores. “Nunca tinha vindo antes, agora aprendi o caminho.”

O eletricista Ender Freitas se diz satisfeito por ter contribuído para a entrega do Theatro Sete de Abril 

Não é o caso do colega de ofício. Ender Freitas sabe os caminhos que levam ao teatro, lembra que já tinha estado nele, mas, há tanto tempo fechado, não recorda exatamente quando nem para quê. Não importa: para ele, o que vale é o tempo presente, no qual contribuiu para a entrega do bem cultural mais antigo e mais representativo dessa história que nesta terça completa 214 anos. “É impressionante como as pessoas estão animadas”, exclama. “Nas redes sociais da Prefeitura são só comentários positivos.”

Auxiliar de limpeza, Andréa Cardoso já foi tema de documentário Construção, de Leonardo da Rosa, da Faculdade de Cinema da UFPel. "Todo o nosso esforço é para que as pessoas se sintam bem aqui", disse

Auxiliar de limpeza de 44 anos, moradora no loteamento Getúlio Vargas e mãe de quatro filhos, Andréa Cardoso lembra de ter frequentado o Sete de Abril esporadicamente, em eventos abertos ao público. A depender dela e dos demais colegas responsáveis pela higienização, o teatro estará impecável logo mais. “Estou trabalhando com prazer, sempre gostei desses ambientes, me sinto privilegiada de estar inserida neste projeto e feliz por fazer parte desta equipe - todo o nosso esforço é para que as pessoas se sintam bem aqui”, afirmou. 

Andréia, inclusive, já virou filme. O mini-doc Construção, de Leonardo da Rosa, da Faculdade de Cinema da UFPel. acompanha um período dramático, em que esteve desempregada e foi obrigada a enfrentar, com os filhos, um processo de despejo. A câmera acompanha o retorno ao Getúlio Vargas, em que precisou erguer um teto precário para abrigar a si e à família. Mas já passou, felizmente. “Hoje tenho uma casa e uma vida digna com meus filhos”, orgulha-se. O filme está disponível no YouTube pelo link undefined.  

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