Marroni exige compensação pelos 28 anos de pedágio mais caro do Brasil
Proposta foi apresentada pelo prefeito na audiência pública que discutiu o novo modelo de concessão nas rodovias da Zona Sul do Estado, prevista para iniciar em 2027
Apoio não faltou à proposta do prefeito Fernando Marroni na tarde desta terça-feira (17) durante a audiência pública realizada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para debater o novo modelo de exploração das rodovias da zona sul do Estado. A plateia que lotou o auditório da UCPel aplaudiu de forma entusiástica a defesa do chefe do Executivo por uma compensação financeira à região pelos 28 anos das praças de pedágio que cobraram uma das tarifas mais caras do Brasil - a que Marroni chamou de “extorsão”.
O problema da nossa região sempre foi o valor do pedágio, a extorsão que foi praticada sem nenhuma ordem, a nossa região precisa de uma compensação por isso”, disse Marroni. O prefeito sustentou que os valores envolvidos em quase três décadas poderiam ter financiado a duplicação “de ponta a ponta” de todas as estradas, de pontes, e ainda finalizado o trecho do lote 4 da BR 392, que dá acesso ao terminal portuário do Rio Grande. “Está na hora de fazer esta compensação, se todos achamos que foi injusto a forma como foi concedida a exploração das rodovias no nosso polo rodoviário, temos que exigir que se faça essa compensação, porque com o dinheiro que foi arrecadado dava para ter feito o dobro das obras que foram feitas”, afirmou.
Marroni também considerou “inadmissível” que sejam previstas no novo modelo de exploração praças de pedágio dentro dos municípios, como ocorreu no modelo anterior - cujo contrato expirou no dia 3 deste mês. O prefeito ainda reforçou um prazo maior para que Pelotas e região possam se mobilizar, fazerem audiências públicas capazes de debater a concessão da malha rodoviária em profundidade e, assim, oferecer uma resposta.
Público lotou o auditório da UCPel na tarde desta terça-feira (17), na audiência pública promovida pela ANTT para debater o novo modelo de concessão nas rodovias da região, denominado pela Agência "Rota Portuária do Sul" (Fotos: Volmer Perez/Secom)
“Nós precisamos sim de manutenção nas estradas, socorro nas estradas, atendimento aos usuários, é uma realidade dos novos tempos para que tenhamos rodovias em boas condições - não vejo que devemos nos opor a isso, o problema, aqui, sempre foi o valor desse pedágio”, reafirmou.
O novo modelo de concessão nas BRs 116 e 392, denominado Rota Portuária do Sul, vai abranger 13 municípios, a partir de Camaquã até Jaguarão, pela 116, e do porto do Rio Grande a Santana da Boa Vista, pela 392. De acordo com a apresentação dos técnicos da ANTT na audiência desta terça-feira - a terceira, as anteriores foram em Brasília e em Porto Alegre - o contrato terá vigência de 30 anos, a partir de agosto de 2027. O início da cobrança, conforme o contrato, será a partir do sexto mês de operação da concessionária vencedora do processo de licitação.