Melodias que se transformam em patrimônio cultural da cidade

Por Divulgação 13-08-2004 | 00:00:00
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Formas de expressão, modos de criar, fazer e viver, ações artísticas. Essas são algumas das exposições da Constituição Federal para que algo de relevância seja declarada patrimônio cultural. Assim, ao completar 108 anos de atividades, dia 7 de setembro, a União Democrata será tombada patrimônio cultural de Pelotas. O reconhecimento será oficializado no dia do aniversário da entidade. Com isso, a entidade terá aporte financeiro para manter suas atividades. A decisão também permitirá a criação de uma escola de música para os filhos das classes populares, podendo integrar os programas de inclusão social e de educação de menores no turno inverso ao da escola desenvolvidos pela Prefeitura. A diretora do Museu da Baronesa, Carla Gastaud, acredita que a iniciativa é de extrema importância para a cidade. “O objetivo é conhecer a instituição para documentar o máximo de material possível. É um registro sensível que traduz uma das manifestações mais importantes de nossa cidade”, explica. Atualmente a Prefeitura, através da Secretaria de Cultura (Secult) está desenvolvendo atividades de resgate do patrimônio, um levantamento da memória cultural do espaço. De posse desta análise, serão tomadas as medidas para que o tombamento municipal seja decretado. Já foi resgatado um significativo acervo de imagens fotográficas, que estão sendo digitalizadas através de parceria com o Laboratório Acervo Digital da Universidade Católica de Pelotas (UCPel). O espaço dispõe de mais de 800 objetos que retratam o desenvolvimento da música na cidade e a trajetória da banda. A fachada do prédio é a mesma. O livro de ata também. Santa Cecília, protetora dos músicos, permanece em seu altar, abençoando o som. “Estamos fazendo a catalogação e higienização dos documentos existentes. Muito já se perdeu, mas com base no que estamos presenciando, esta é uma manifestação muito rica”, comenta Carla. E é com orgulho que um dos mais antigos da banda, 49 anos de casa, o contra-baixista Darci Pereira fala da Democrata. “São muitas composições, experiências, notas. Isso aqui é minha vida. Aqui me tornei cidadão”, explica. Willian Cavalheiro, de 15 anos e há três na banda, partilha da idéia de seu Darci.”Tocar aqui significa adquirir experiência musical e de vida”. Neste sábado (14) dia de Passe Livre no Museu da Baronesa, a Banda Democrata estará se apresentando com seu variado e emocionante repertório. O show inicia às 15h. O Passe Livre é uma iniciativa da Prefeitura, que permite ao público o acesso gratuito ao museu um sábado a cada mês. A BANDA Entre saxofones, requintas e trombones, a Sociedade Musical União Democrata ultrapassou um centenário. Experiências divididas entre senhores com mais de 50 anos de casa com jovens de apenas 12 anos de vida. Sua história está intimamente ligada à história da cidade. Foi fundada em 1896 com o objetivo de transmitir arte e música, além de ser uma reação contra o preconceito. Segundo a historiadora Carla, “a Democrata era a única que aceitava todas as pessoas sem distinção, inclusive dissidentes de outras bandas uniram-se a eles”. Dos professores formados na casa,grande parte desenvolveu atividades ligadas à música, sendo muitas vezes responsáveis pela formação musical oferecida nas escolas municipais, estaduais e particulares. Alguns deles retornaram à banda depois de aposentados. Outros permaneceram até quando a saúde permitiu. Hoje, cerca de 36 pessoas fazem parte da banda. Os instrumentos são, em sua maioria, particulares. Estão em estado precário devido ao tempo. O futuro presidente da instituição, que será empossado no aniversário da banda, José Aguilar pede a colaboração da comunidade doando instrumentos usados, para ampliar o acervo instrumental. Interessados podem visitar a sede da banda, localizada na rua Major Cícero, 401 todas às quartas-feiras, a partir das 17h. Lá, encontrarão um som de primeira qualidade, regado de muitas lembranças e instrumentalizadas pelo patrimônio de Pelotas.

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