Prefeitura celebra o Dia do Agricultor na Fenadoce
Pavilhão da Agricultura Familiar está localizado ao lado da Cidade do Doce, no Centro de Eventos
Além dos doces finos, Pelotas também é tradicional na agricultura familiar. Tradicional e diversa. O setor é responsável pelo sustento de várias famílias com empreendimentos passados de geração em geração. Nesta 32ª Fenadoce, a força do segmento está presente no Pavilhão da Agricultura Familiar, ao lado da Cidade do Doce, valorizando a produção local e aproximando produtores e comunidade em uma grande celebração das raízes do município.
Neste Dia do Agricultor, celebramos quem dedica a vida ao campo e faz da terra uma fonte de alimento, desenvolvimento e esperança. Neste Dia do Agricultor, a Prefeitura homenageia homens e mulheres que com trabalho, dedicação e compromisso fortalecem a agricultura familiar, movimentam a economia local e levam qualidade à mesa de milhares de pessoas”, reconhece o prefeito Fernando Marroni.
Ele continua: “Nossa gratidão a todos os agricultores que ajudam a construir, todos os dias, o presente e o futuro de Pelotas.”
São três segmentos que classificam a produção nos estandes: agroindústria familiar - com alimentos e bebidas (salame, queijo, iogurte, panificados, mel, erva-mate, vinho, cachaça, licor, entre outros itens); floricultura - com destaque para a kokedama, técnica japonesa de jardinagem contemplativa derivada do bonsai; e artesanato - com produtos manufaturados a partir de porongos, madeira, lãs, sementes para confecção de gamelas, cuias, acessórios, decorações e utensílios.
A participação da agroindústria em feiras como a Fenadoce amplia o olhar e o mercado para alguns dos 89 empreendimentos presentes na Feira. Segundo a Emater, dos 43 municípios que compõem a Regional Sul da empresa responsável por prestar assessoria técnica a produtores rurais, 55% dos empreendimentos têm sucessão familiar. Desses, mais de 40% são administrados por mulheres de diferentes etnias e culturas. Para o líder quilombola e secretário de Desenvolvimento Rural, Antônio Leonel, neste aspecto Pelotas dá exemplo:
O município tem cinco comunidades indígenas que expõem regularmente nas feiras, além de núcleos de produção quilombola.”
Um tour pela agricultura familiar de Pelotas
De alimentos processados ao artesanato, as agroindústrias pelotenses dominam todo o circuito - da produção à comercialização ao consumidor. É o caso do apicultor Udo Edemar e sua esposa, Andréa Motta. Juntos, produzem cinco mil quilos de mel ao ano. O que começou como hobby é hoje a principal fonte de renda do casal. A alta procura de amigos e familiares foi o principal incentivo para começar, junto ao escritório municipal da Emater, o processo de legalização e formalização do empreendimento.
Atualmente nossa empresa é o nosso ganha-pão. Tudo começou como uma produção doméstica, hoje temos apiários em Pelotas, Piratini, Herval e Capão do Leão”, disse Edemar.
Produção de mel na Fenadoce. Foto: Manuela Santos
Com produção especializada em derivados de leite de ovelha, como queijo, doce de leite, doces tradicionais e iogurtes, o negócio da veterinária Camila Pizoni já está há um ano no mercado. “Trabalho com minha família, que cuida de todos os animais e da produção, já que a agroindústria fica dentro da nossa propriedade”, explicou.
Produção especializada em derivados de leite de ovelha. Foto: Manuela Santos
Alguns dos empreendimentos perduram por anos. A empresa de produção de embutidos de Charles Perleberg soma 12 anos de labuta. “Tudo o que vendemos carrega a clássica receita da minha avó, desde salames e linguiças defumadas. Hoje seguimos vendendo por toda região e trabalhamos em um núcleo pequeno, principalmente eu, minha esposa e minha mãe”, explicou.
Produção de embutidos na Fenadoce. Foto: Manuela Santos
A produção de acessórios e utensílios na aldeia Gyrô, do povo indígena Kaingang, na colônia Santa Eulália, interior de Pelotas, vem direto da natureza, num aprendizado de coleta e fabricação que passa de pai para filho. E é justamente essa herança cultural que o artesão indígena César Silva avalia como a maior importância do seu trabalho. “Coletamos sementes, esculpimos madeiras e criamos estes acessórios, além de instrumentos e decorações que aprendemos desde pequenos como fazer”, disse ele.