Projeto 2.7.7: democratização da cultura no Sete de Abril
O Theatro Sete de Abri foi, sem dúvida, palco de muita expressão, revelação e ecletismo. Resgatar e valorizar os músicos locais, considerando a diversidade de suas manifestações eram os objetivos do projeto 2.7.7. E foram alcançados. A secretária da Cultura (Secult), Renata Requião atesta estas idéias. “Conseguimos unir o clássico, o hip hop, a MPB, entre outros estilos, jovens da periferia, até então desconhecidos com nomes renomados da música pelotense. Também popularizamos a entrada e lotamos a casa na maioria dos espetáculos. Com certeza o projeto cumpriu seu papel”, avalia. Antonella Pons foi considerada a maior revelação como intérprete feminina do projeto, prova viva da democratização da cultura. “Eu era cantora somente em minha casa, o 2.7.7. possibilitou que meu talento fosse reconhecido. Já fiz diversas apresentações em inúmeros outros locais da cidade”, comemora. Ela lembra que só foi selecionada na quarta tentativa, mas que nem por isso desistiu, pois seu nome fora indicado para outros projetos da Prefeitura. “Sempre tinha um lugar para mostrar meu talento, o mundo da música tem espaço para todos”, brinca. O experiente Milton Alves, do Grupo Feito em Casa, relembra suas atuações em projetos anteriores. ”Participamos de tentativas de outras administrações, mas o 2.7.7 destaca-se principalmente pela forma de seleção dos artistas e pelo cachê oferecido. “Com a verba, conseguimos comprar instrumentos e investir na carreira”, destaca. Segundo ele, a ocupação do espaço com atrações populares foi outro diferencial e o Grupo confirmou sua bela trajetória dentro da história da música popular pelotense. Nesta administração, 450 dias o Theatro esteve de portas abertas. A Banda Elegbara foi a grande revelação por sua ampla pesquisa no campo da cultura africana e suas especificidades. Participou de duas edições do 2.7.7. “A Banda nasceu para o projeto, fazíamos um som, mas nos qualificamos para fazer a primeira apresentação neste histórico local, daí por diante ficamos conhecidos”, argumenta um dos integrantes, Émerson Marini. Outra questão levantada pelo grupo foi o preço acessível a diferentes públicos. “Por um quilo de alimento ou R$ 2,00 o público tinha acesso a um show de qualidade” complementa Marini. Outro exemplo de talento descoberto foi Dudu Borba. Segundo ele, participar de duas edições do projeto fez com que sua musicalidade fosse aflorada. “Minha música amadureceu, conheci artistas consagrados e outros aspirantes, mas o melhor de tudo é ouvir as pessoas cantando minhas composições”, diz orgulhoso. Borba foi considerado excelente cronista da cultura popular, pelo conjunto de sua obra, de grande importância para o patrimônio imaterial. Ele ainda destaca que o projeto já é mais que uma semente, está plantada e pode sofrer adaptações, mas não sair de cena. “As apresentações vendem o talento da cidade, ver o Theatro lotado é muito mais que uma honra, é a certeza que nossa cultura já está democratizada”, finaliza. SELEÇÃO - A seleção de convidados foi organizada pela Coordenadoria de Música do Theatro, e os artistas interessados enviaram seu material para a Coordenadoria de Artes Cênicas e Música (CACEM), da SeCult, tornando assim o processo democrático e de acesso a todos. HISTÓRICO - Em andamento desde 2001, o projeto obteve sucesso ao inaugurar na cidade um espaço cíclico de música, caracterizado pela diversidade de ritmos. A médio de público é de 450 pessoas por espetáculo. Mais de 100 artistas já se apresentaram. Por semestre foram investidos cerca de R$ 8 mil.