Qualificação educacional passa por alimentação escolar saudável
A merenda escolar é hoje uma das principais refeições das crianças matriculadas nas escolas públicas do país. Estudos da UNICEF revelam que no Brasil, 45% das crianças de até cinco anos de idade apresentam quadro de desnutrição. Outros levantamentos apontam ainda para os preocupantes casos de obesidade infantil, decorrentes das mudanças dos hábitos alimentares das crianças e dos adolescentes que consomem cada vez mais os chamados fast-foods e produtos como refrigerantes, salgadinhos e frituras. A fim de proporcionar aos alunos matriculados na rede municipal uma alimentação escolar de qualidade, a Prefeitura, através da Secretaria da Educação (SME), irá investir em 2004 R$ 1,1 milhão em merenda. Em média, desde 2001 o Executivo já investiu R$ 928 mil por ano, um total de R$ 3,7 milhões em recursos que além da alimentação, se estendem à qualificação profissional de merendeiras, contratação de nutricionistas, pesquisas, entre outras ações. Do total, R$ 470 mil são recursos próprios do Executivo, sendo que R$ 3,2 milhões foram disponibilizados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), do Governo Federal. Diariamente são servidas mais de 30 mil refeições na rede municipal. Somente às crianças matriculadas nas escolas de Educação Infantil são servidas cinco refeições diárias, o que faz com que as refeições se constituam como a principal alimentação das crianças de zero a seis anos de idade. Empenhada em qualificar a merenda servida nas escolas, a Prefeitura contratou através de concurso público, cinco nutricionistas responsáveis pela elaboração das receitas. Responsáveis pela produção dos alimentos, as merendeiras escolares passam por curso de formação de 40 horas. As profissionais também receberam uniformes (compostos por toca e avental) confeccionados a fim de manter o padrão de higiene e de confecção dos alimentos. Alimentação saudável Através da Merenda Escolar Ecológica, 240 famílias de pequenos produtores rurais fornecem os alimentos utilizados na merenda de 8,2 mil estudantes do município. Cerca de 20 escolas integram o projeto da Prefeitura que além de trabalhar a reeducação alimentar e a preservação do meio-ambiente, estende-se como uma alternativa de trabalho e renda aos agricultores da região de Pelotas. Produzidos sem a utilização de agrotóxicos, a merenda ecológica contribui para a conscientização nos alunos sobre questões do meio-ambiente afirma a diretora da Escola Municipal de Ensino Fundamental Bibiano de Almeida, Alice Montardo. Segundo ela, os alimentos destacam-se pela excelente qualidade e pelos benefícios à saúde daqueles que o consomem. “Os nossos alunos percebem que o sabor dos alimentos é outro”, afirma. Além dos investimentos em merenda escolar, a Prefeitura, em parceria com a Pastoral da Criança e a Universidade Federal de Pelotas (UFPel), está realizando o projeto de pesquisa para a utilização na merenda escolar da multimistura – complemento alimentar composto de farinha de trigo e arroz, cereais, pó de folhas verdes, sementes e casca de ovo. Aplicada em 22 escolas municipais de Educação Infantil, a pesquisa pretende analisar cientificamente os efeitos multimistura no desenvolvimento de 300 crianças de doze meses a seis anos de idade. Para o secretário da Educação Mauro Del Pino, o melhoramento dos níveis educacionais é resultado de alunos bem alimentados e aptos a desenvolver todo o seu potencial de aprendizagem. “As ações da Prefeitura tem como objetivo transitar de uma política de merenda escolar traduzida como uma alimentação reduzida, para a adoção de uma política nutricional próxima a refeição completa”, afirma.