TUMULTO E INSEGURANÇA CANCELAM ENCONTRO COM ESTUDANTES
Marcada para ontem (7), a reunião do prefeito Fernando Marroni e dos secretários do Governo, Ellemar Wojahn, e dos Transportes e Trânsito, Horácio Passos de Oliveira, com os representantes do movimento estudantil não aconteceu. Mais uma vez os manifestantes, contrariando o acordo de que seria recebida uma comissão de grêmios, tumultuaram o início da audiência. Após episódio de invasão da Câmara de Vereadores, pela manhã, o movimento se dirigiu à Prefeitura para audiência com o prefeito. Antes do encontro, foram jogadas pedras contra o prédio, atingindo as vidraças do segundo andar, danificando três janelas do gabinete do prefeito. Na entrada para o encontro, os manifestantes, não respeitando a indicação de representantes, forçaram a porta principal e entraram em confronto com a Brigada Militar, gerando tumulto e insegurança. Sem clima para negociações, o secretário do Governo suspendeu a audiência. Atendendo a pedido de estudantes que negociavam com Wojahn, ficou definido para hoje (8), às 10h, novo encontro com a categoria estudantil quando será apresentada a pauta de reivindicações, que deverá conter pedido de revogação do reajuste da tarifa do transporte coletivo urbano e a meia passagem para estudantes dos cursinhos, entre os temas centrais. Ao término da manifestação em frente à Prefeitura, os integrantes do movimento se deslocaram pela rua 15 de Novembro em direção à residência do prefeito. Lá, picharam o portão e quebraram a porta da casa, tentando invadir o local. A agressão foi registrada na Brigada Militar. Wojahn criticou a prática utilizada na manifestação. “Defendemos o direito a reivindicação, mas repudiamos a forma violenta e inconseqüente que este pleito vem sendo feito”, disse. “Em mais de uma oportunidade nossa opção foi pelo diálogo, o que não está sendo respeitado pelos estudantes devido ao clima tenso e provocativo que propositalmente é instalado em cada encontro”. Reajuste O reajuste da passagem para R$ 1,45 está abaixo do valor apontado em planilha utilizada para cálculo do transporte. O reajuste foi R$ 0,13 menor do que o valor solicitado pelas empresas e ficou abaixo da média dos elementos que compõem os custos do transporte coletivo. Mesmo com o aumento, a passagem em Pelotas continua sendo a mais barata entre as cidades de médio porte do Estado. O novo valor foi calculado através da planilha tarifária elaborada pela Secretaria dos Transportes e Trânsito (SMTT) que chegou ao resultado de R$ 1,4607. O Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo havia solicitado o novo preço para R$ 1,58. De acordo com dados da SMTT, a tarifa aumentou de 2001 a 2004 de R$ 0,90 para 1,45, totalizado 61,11%. O salário mínimo aumentou 72,18% e o óleo diesel 105% no mesmo período. O acréscimo é avaliado de acordo com o aumento ocorrido de 2003 a 2004 dos combustíveis 23,5%, pneus 25%, chassi 37,1%, carroceria 9%, 5,72% de salários – proposta patronal, e redução de 5,3% da circulação de passageiros. O estudo também apontou uma queda de 5.6% no número de usuários do sistema, baixando de 3 milhões por mês em 2003 para 2,8 milhões por mês neste ano. Gratuitamente utilizam os coletivos 7 mil pessoas, portadoras de deficiência e acompanhantes. Somente em Pelotas o idoso não paga passagem a partir dos 60 anos, no resto do país a lei vale para pessoas com idade acima de 65 anos.