Prefeito garante apoio à cadeia produtiva do pêssego em Pelotas e região
Reunião com lideranças políticas e do setor alinha audiência com governo do Estado para minimizar as perdas. Estima-se que próxima safra seja uma das piores da história
Os efeitos de uma safra que se anuncia como a pior da história da cultura do pêssego serão sentidos nos municípios da zona Sul. Por esse motivo, prefeitos, vices, secretários municipais, representantes da indústria, da Emater, Fetag e produtores visitaram o prefeito Fernando Marroni na tarde desta quarta-feira (30) para uma reunião no Paço Municipal. O encontro deliberou por uma audiência com o governador Eduardo Leite, a ser chamada pela Azonasul, na tentativa de minimizar as perdas, que podem chegar a 80%, na cadeia produtiva diante das adversidades climáticas provocadas pelo fenômeno El Niño em Pelotas e região.
Não tem escapatória”, admitiu Marroni. “É um problema regional, temos que nos abraçar e buscar soluções, a situação que se avizinha sobre a cadeia produtiva do pêssego, a principal cultura da nossa fruticultura, é grave, não é caso para emergência, é para calamidade”, completou.
O prefeito Fernando Marroni ouve representante da Fetag, de costas, durante reunião no Paço Municipal na tarde desta quarta-feira (30) com a cadeia produtiva do pêssego (Fotos: Volmer Perez/Secom)
Além dele, a reunião contou com lideranças políticas de outros quatro, dos oito municípios produtores: os prefeitos de Canguçu e Morro Redondo (Arion Braga e Rui Brizolara, respectivamente), e os vices de Arroio do Padre, Martina Scherdien, e de Cerrito, Wagner Tessmer. A cadeia produtiva se completa com São Lourenço do Sul, Capão do Leão e Piratini.
Proposta
A preocupação maior é manter produtores em atividade, a grande maioria pequenos, responsáveis por uma produção entre 50 a 60 toneladas por propriedade, para não decretar o fim da cadeia produtiva nos próximos anos. Para isso, produtores e empresários do setor sugerem a suspensão de financiamentos em curso e a abertura de novas linhas junto ao Banrisul e ao Badesul a fim de subsidiar aportes para cada agricultor familiar com prazo de cinco anos de carência. Os recursos seriam provenientes dos juros do Funrigs - fundo criado com o não pagamento por três anos da dívida com a União como política do governo federal para apoiar a reconstrução do Estado depois das enchentes de 2023 e 2024.
Além disso, o prefeito Fernando Marroni assegurou que vai levar o problema ao Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), incluindo outras culturas da região, como morango, tabaco, entre outras, que também estão sendo atingidas pelos eventos climáticos extremos. No caso da produção do pêssego na zona rural de Pelotas, dois fenômenos foram particularmente prejudiciais à fruta, ambos em agosto: as chuvas intensas entre os dias 16 e 17, quando se registraram 111,4 milímetros, segundo a Embrapa Clima Temperado, e o temporal de granizo do dia 27. De acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias de Doces e Conservas Alimentícias de Pelotas (Sindocopel), Paulo Crochemore, o prejuízo estimado na região com a quebra da safra deve chegar a R$ 300 milhões.